Primeiro Colocado - Categoria Política.

E Aí? Quem Quer Ser PM??


Temos dois grandes concursos para as polícias em aberto. Mas esses concursos são para pessoas qualificadas, oriundas, em sua maioria, das classes média e alta. Pessoas que estudaram em bons colégios, tem seu nível superior e tempo para cair dentro dos estudos, pois são muito concorridos.

Uma é a prova para Delegado de Polícia do Rio de Janeiro, com proventos iniciais de R$ 7.745,29. É exigido nível superior em Direito. A outra para Agente e Escrivão da Polícia Federal, exigindo qualquer nível superior, com proventos de 7.514,33.

Normalmente os dois cargos (a não ser exceções) irão trabalhar em regime de escala de 24 horas de serviço por 72 horas de folga.

Para quem não sabe, o Delegado de Polícia Civil, também chamado de autoridade policial, é o
responsável (em tese) pelos inquéritos policiais e
pelas lavraturas de auto de prisão em flagrante, além do determinado no Código de Processo Penal, nos crimes que não competem à Polícia Federal.

Os Agentes da Polícia Federal são os responsáveis diretos pelas investigações dos crimes que competem à Polícia Federal (tráfico de droga, contrabando, crimes contra organizações federais, etc), sendo o longa manus das autoridades policiais (delegados). Já o Escrivão, também agente da autoridade, é o responsável por lavrar e expedir certidões, lavrar autos de prisão e de apreensão, etc. Minimizando, digamos que ele seria o responsável pela digitação e expedição dos documentos.

Como podem reparar, a diferença salarial entre Delegados de Polícia Civil do Rio de Janeiro e Agentes da autoridade da Polícia Federal é irrisória (um delegado da federal entra recebendo em torno de 13 mil reais). Porém, se compararmos com os restantes dos policiais mortais
comuns, vemos que há um abismo colossal.

E o primos pobres?? Um Soldado da PM do Rio de Janeiro
(2o grau) entra recebendo em média 1000 reais e um Segundo Tenente (nível superior), após 3 anos de dedicação exclusiva na Academia Militar e mais 8 meses de estágio como Aspirante, percebe em torno de 2 mil reais. Os agentes da polícia civil também estão nessa média, entre 1.300 e 2.000 reais.

Obviamente as últimas opções não são, em sua maioria, a opção da classe média e muito menos da classe alta. As profissões abaixo (ao menos no Rio de Janeiro)
estão atraindo somente os menos qualificados e menos abastados, com menores perspectivas profissionais. É uma pena, já que eles são quem, realmente, têm o maior contato com os cidadãos comuns.

Para se ter uma ideia, o concurso de soldado da polícia militar no Rio de Janeiro, desde a época que entrei como soldado há 12 anos atrás, é conhecido como a porta de entrada MAIS FÁCIL para o funcionalismo público, obviamente pelos baixos salários pagos, grande risco de vida e baixa qualificação de quem procura o emprego, gerando facilidade de aprovação.

Só para comparação, enquanto um Tenente Coronel, penúltimo cargo na Polícia Militar, após aproximadamente 20 anos de dedicação, recebe em média 6 mil reais, o Delegado da Civil ou o agente da federal já entra recebendo mais de 7 mil.

Importância do cargo? Nível de escolaridade? Força da categoria? Podem fazer suas apostas.

Enquanto isso, quem quiser ganhar dignamente pode clicar nesse link para obter informações e se inscrever para agente da PF ou nesse link para o cargo de escrivão. O prazo é até o dia 18 de agosto e o valor da inscrição de 110 reais. Já para Delegado da Polícia Civil, peguem o edital clicando aqui e obtenham todas as informações.

Felicidades e boa sorte a todos que tentarem.

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Prende o Bicheiro, ABEL!!! História do Jogo do Bicho


Pegando o gancho da reportagem feita pelo Extra, onde revela que o ator Anderson Müller, o Guarda Abel da novela, é filho do famosíssimo contraventor (bicheiro) Anísio Abraão David, decidi reeditar uma postagem bem antiga que fiz, logo no início do Blog.

Confesso que gosto muito de história, e essa postagem, feita através de pesquisas, me deu um prazer bem grande em realizar.

Sobre a reportagem do Extra, nada demais a comentar, já que o ator revela, surpreendendo a todos, ser filho legítimo de quem é "padrinho" de muitas pessoas. Sua opinião, que eu concordo, é para a legalização do jogo no Brasil. Mas enquanto não acontece (deve dar algum lucro à alguém), vamos ver a HISTÓRIA DO JOGO DO BICHO NO BRASIL:

O “Jogo do Bicho” nasceu em 03 de julho de 1892, na cidade do Rio de Janeiro, idealizado
por João Batista Viana Drummond, o Barão de Drummond, para sustentar o primeiro Jardim Zoológico da cidade, que fora fundado em 1888 no bairro de Vila Isabel. Vila Isabel já pertencia ao Barão, sendo o primeiro bairro projetado na cidade do Rio, aos moldes de Paris.

Pela amizade entre o Barão e o Imperador D. Pedro II, o jardim zoológico de Vila Isabel era subsidiado por dinheiro do Império, mas com a proclamação da República tal ajuda termina, sendo ele obrigado à criar uma modalidade nova de jogo.

As pessoas que entravam no zoo escolhiam um bicho de uma lista, sendo que no final do dia o bicho sorteado era revelado, indo os ganhadores (frequentadores) receber seus prêmios.

As manifestações positivas, oriundas da imprensa, sobre o lançamento de tal modalidade de “propaganda” foram muitas. O Jornal do Brasil, entre outros, cobriu o evento do lançamento do jogo, em um jantar comemorativo. Diversos
jornais divulgavam os resultados diários dos sorteios realizados no Zôo.

No dia 23 de julho, ou seja, apenas 20 dias após o lançamento do “Jogo do Bicho”, e a visitação de algumas autoridades no local - como o Ministro da Guerra - o Delegado de Polícia local encaminhou ao Chefe de Polícia um
ofício sobre a nova diversão lançada pelo Diretor do Zoológico, onde menciona que "solicitou o seu diretor para certo recreio público licença, que lhe foi concedida pela polícia, em vista da feição disfarçadamente inocente que da símples primeira descrição do divertimento parecia se deduzir. Entretanto, posta em prática essa diversão, se verifica que tem ela o alcance de verdadeiro jogo, manifestamente proibido". Ou seja, já começa então a perseguição (?) policial ao “inocente” jogo das crianças, por ser, naquela época, crime tipificado no Código Penal.

Após essa modalidade de jogo ser reconhecida como jogo de azar, consequentemente decretando as autoridades a sua proibição, passou a ser executado na clandestinidade, mantendo o nome de “Jogo do Bicho”.

Diversos “bicheiros” surgiram visando o lucro com tal modalidade delituosa, dentre eles uma senhora chamada EURIPEDES ANDRADE, que na década de 20 monta uma banca de aposta no bairro de Bangú.

Trabalhando ao lado de sua filha, chamada CARMEM e de seu genro,chamado EUSÉBIO, a banca cresce, conseguindo atingir em 20
anos seu domínio sobre a totalidade do bairro de Campo Grande.

O casal Camem e Eusébio (foto) têm três filhos, sendo que um deles, chamado CASTOR GONÇALVES DE ANDRADE E SILVA (foto abaixo), bacharel em direito, após a morte de seus pais e de sua avó, na década de 50, assume o controle da banca do jogo. Com sua assunção ele consegue ampliar mais ainda sua área de atuação, atingindo toda a Zona Oeste da cidade. Querido e respeitado, obviamente pelo dinheiro e pelo poder que exercia sobre todos, Castor vira Presidente de Escola de Samba, Diretor de Clube (o mascote do Bangu Atlético Clube é um castor), convidado de honra em festas de Generais, cumprimentado até pelo Presidente Figueiredo, que se afastou de autoridades para falar com ele. Possuía também diversas empresas legalizadas, dentre elas a Tecelagem Bangu e carrega a suposta morte de várias pessoas para poder manter seu domínio, porém nada é provado.

Muitos outros bicheiros aparecem, como é o caso de Anísio Abraão David (pai do ator), Aíton Guimarães Jorge (Capitão Guimarães), Waldemir Paes Garcia (Miro) e seu filho Maninho (morto), dentre outros.
Todos se articulavam entre si, sendo acusados até de entrarem em sociedade, liderada intelectualmente por Guimarães, para abrirem cassinos fora do Brasil (além dos rumores de já possuírem).

Enquanto em 1993 os chamados barões do jogo do bicho eram processados e condenados pela então Juíza Denise Frossard, a 6 anos de prisão, por formação de quadrilha, a década de 90 foi marcante para o desenvolvimento da contravenção, tendo um dos motivos a criação da Lei Zico, que instituiu a legalização de “inocentes” Bingos no Brasil.

Por pouco tempo os contraventores condenados ficaram presos. Um ano depois, em 1994, a "Operação Mãos Limpas", feita pelo Ministério Público e Polícia Militar (com o BOPE) invadiu a casa de Castor de Andrade, localizando lista de nomes de policiais (alguns, creio, ainda na ativa), dentre eles Álvaro Lins (Capitão da PM na época que seria o futuro Chefe da Polícia Civil), políticos e até celebridades que, em tese, receberiam propinas para facilitar a jogatina ilegal e todo seu aparato criminoso. O caso foi marcado pela frase "QUE POLÍCIA É ESSA?" dita por Castor quando da entrada do BOPE, tropa, À ÉPOCA, considerada incorruptível. Importante ressaltar que os acusados foram inocentados.

Na Europa FAUSTO PELLEGRINETTI, chefe da máfia italiana, manda um de seus funcionários – o italiano
LILO LAURICELLA - se reunir com os Barões do Bicho, dentre eles Castor de Andrade, propondo a instalação de máquinas caça-níqueis importadas nas suas áreas de atuação.

Em 1995 os contatos italianos mafiosos dos bicheiros são presos e condenados na Itália, possibilitando então, finalmente, a sonhada autonomia desses últimos aqui no Brasil; em 1997 morre Castor de Andrade, deixando como herdeiro de seu império seu filho, Paulo Roberto de Andrade, o que obviamente gera insatisfações entre os nobres membros daquela família – principalmente o sobrinho de Castor, Rogério Andrade.

Em 21 de outubro de 1998, Paulinho de Andrade é assassinado na Barra da Tijuca pelo ex-SD PM RG 56.791 JADIR SIMEONE DUARTE, o qual cheguei a conhecer no BPChq quando este estava preso e ameaçado de morte, a mando de Rogério de Andrade (primo da vítima). Vale ressaltar que Rogério Andrade foi condenado a 19 anos de prisão, já que o ex-SD PM Simeone confessou o crime e revelou quem era o mandante, dizendo ainda que receberia mais 1 milhão de reais caso matasse a Juíza Denize Frossard.

Com a morte do herdeiro, inicia-se a disputa entre o mando de território entre Rogério Andrade e Fernando Ignácio, com o apoio da filha de Castor, sua esposa, CARMEM. Rogério assume o controle da Costa Verde e Sul Fluminense, enquanto Fernando Ignácio assume o controle da Zona Oeste da cidade do Rio de Janeiro.

Em 2001 a guerra rompe de vez entre os ex-cúmplices, quando Rogério Andrade invade o
território de Fernando Ignácio, fazendo com que este perca parte de seu território. Interessante notar que os dois criminosos criam seu próprio exército, ou como mais comumente conhecido no Rio de Janeiro, suas próprias milícias, compostas de policiais federais, militares, civis, agentes do DESIPE e bombeiros militares.

Essas milícias, formadas principalmente por agentes da lei, quebram as máquinas dos adversários, matam funcionários da outra parte, impõe o terror entre comerciantes e, principalmente, se matam. "Policial" versus "Policial" !!! Muitas vezes em troca de 100 reais por dia de serviço. Isso é fundamental saber para se perceber o ponto de degradação que chegou nossos órgãos públicos e nossos funcionários públicos. Essa situação, independente do tráfico de drogas que assola e destrói a cidade, por si só já configura um clima de terror, se assemelhando às guerras dos mafiosos quando da Lei Seca nos Estados Unidos. Lembram?? Chicago, Al Capone, polícia e políticos comprados (assista ao filme OS INTOCÁVEIS).

É claro que os dois marginais da lei, como o antigo capo e mentor, Castor de Andrade, possuem empresas para dar o ar de legalidade em seus negócios. Fernando Ignácio abriu a Adult Fifty Games – Jogos e Diversões Eletrônicas Ltda, enquanto Rogério Andrade abriu a Oeste Rio Games Ltda; ambas empresas “alugam” as máquinas caça-níqueis para os comerciantes, que recebem uma porcentagem do rendimento, fazendo com que alguns locais tenham várias unidades, tornando-os verdadeiros mini-cassinos.

Os dois personagens oriundos da história de Castor foram presos pela Polícia Federal, após apenas alguns meses de investigação e depois de ficarem anos soltos, mesmo estando condenados pela justiça e com mandados de prisão vigentes. Estranhamente a Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, com todo seu equipamento e serviço de inteligência, nunca conseguiu realizar a prisão desses marginais, tampouco a Polícia Militar.

Das investigações da Polícia Federal foram descobertos outros tentáculos do “Jogo do Bicho” e das maquininhas caça-níqueis, com a deflagração da operação Furacão e Gla
diador. Essa operação trouxe à tona, conforme fartamente noticiado nos jornais, o envolvimento dos chamados “inhos” da Polícia Civil, tão comentados em todos os bastidores da Segurança Pública e do envolvimento até de Magistrados, que supostamente vendiam liminares para que as máquinas não fossem apreendidas e pudessem funcionar. Dois ex-Chefes da Polícia Civil presos (Álvaro Lins e Ricardo Hallack), acusação de loteamentos de Delegacias para deixar o crime organizado funcionar, envolvimento com contraventores e contrabando.

Sobre seu Anísio, pai do nosso guarda ABEL (na foto sentado ao lado direito do Capitão Guimarães em pé), que aparenta apresentar na reportagem uma certa inocência no jogo do bicho, ele é muito bem articulado politicamente. Tem parentes deputados, prefeitos, secretários, além de apresentar, em tese, imóveis incompatíveis com sua renda, segundo investigações, como uma cobertura triplex.

Realmente essa modalidade delituosa (jogo do bicho e máquinas caça-níqueis) se configura como um excelente negócio aqui no Brasil, principalmente por não ser considerado crime e sim uma simples contravenção penal. Já fui a cassinos fora do país e pude constatar que as máquinas que temos aqui são idênticas as que lá existem. Na verdade, temos realmente aqui mini-cassinos, transvestidos de inocentes bingos ou bares com diversões.

Não consigo entender como uma sociedade que quer se dizer crente às
leis e contrária ao crime organizado pode ir ali fazer sua “fezinha” e se indignar somente com as conseqüências, mas não com o que levou à elas. É tão aceito e não investigado ou combatido seriamente que os vemos normalmente nas ruas (foto ao lado), e temos até sites onde o resultado do jogo é apresentado, como nesse link e nesse link. Não consigo entender o porquê de não haver uma repressão total e completa a esse delito. Já que todos se mostram sempre de “mãos limpas”, não vejo motivos para não se dar um fim nisso.

Claro que sempre haverá estranhos discursos, dizendo que o jogo do bicho não é uma prioridade e que temos crimes mais importantes para nos preocupar (como já dizia Garotinho em 2001 nessa reportagem). Mas é bem óbvio que a prioridade se demonstra quando está explícito o crime organizado, a formação de quadrilha, o contrabando, os prováveis homicídios, isso sem falar na corrupção generalizada que se precisa ter para essa engrenagem tão grande funcionar.

Essa história do jogo do bicho envolve muitos outros “chefões”, porém descrevi apenas alguns de seus mais importantes e violentos membros, que vêm realizando uma sangrenta guerra por dinheiro.

Temos que agradecer à Polícia Federal que colocou a mão na sujeira. Pelo menos alguém fez isso. Parabéns a eles.

PS: A postagem é antiga (mais de dois anos) e foi apenas reeditada complementando algumas informações. Espero que nosso novo Comandante Geral, CORONEL MÁRIO SÉRGIO, determine o mais rápido possível que TODOS os Comandantes de Batalhões realizem a PRISÃO diária de TODOS APONTADORES DO JOGO DO BICHO, além da apreensão de TODAS as máquina caça-níqueis, que infernizam o Estado do Rio de Jaaneiro. Com toda a minha ignorância em comando, acredito, na minha inocência, que não seja difícil para o Comandante Geral fazer algo assim.

Eu faria o seguinte: falaria para os Comandantes das Unidades que se ele (Comandante Geral) passasse e visse um apontador do jogo de bicho ou uma maquinha caça-níqueis na área do Batalhão, o oficial supervisor, o(s) setor(es) da área de policiamento e o próprio Comandante seriam punidos. Será que continuará havendo o jogo nas ruas com uma determinação assim?

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"Apesar de você..." hoje é outro dia.

Quero, de maneira sem vergonha, antes de outra postagem minha, copiar o excelente texto do Coronel Esteves, postado lá no seu Blog. Preferi não escrever na época sobre o fato para evitar problemas...

Prefiro também não comentar sobre seu texto, até porque concordo com ele que não compensa “chutar o pitbull moribundo”.


"QUEM COM FERRO FERE...

Não pretendo tecer qualquer comentário sobre o coronel Pitta e coronel David, rezo apenas que tenham forças para superar o que está por vir.
Que Deus se apiede de ambos e lhes dêem condições de, ao fechar os olhos à noite, conseguirem dormir.
Acredito que um dia repensarão em tudo de certo e de errado que fizeram durante as suas vidas e se arrependerão de alguns atos, como é normal em todo cristão.
Não estou aqui para julgá-los. Não sou daqueles que ao ver um pitbul rosnando se afasta apavorado, contudo ao vê-lo caído moribundo sem forças para grunhir, põe-se a chutá-lo.
De coração, auguro que encontrem pessoas que lhes estendam a mão ou que pelo menos não lhes dêem as costas ao vê-los.
Boa sorte e vão com Deus.
ESTEVES - CEL RR"


* O Coronel Esteves é considerado por todos os policiais que já trabalharam com ele um exemplo de pessoa e de profissional. Meus respeitos a ele.





Gratificações. O Porquê Sou Contra

As gratificações parecem que são máximas eternas dos governos para não darem aumento salarial. Lembro dos Governos recentes e parece que mandato após mandato a história se repete.

No Governo Marcelo Alencar, as gratificações vieram em forma de Promoções e/ou "aumentos salariais" (denominados pecúnia). Eram gratificações que visavam a "operacionalidade policial". O policial as ganharia se apresentasse "produtividade", ou seja, se conseguisse boas ocorrências.

Claro que a definição de "boas ocorrências" é algo muito subjetivo. Uma boa ocorrência para ganhar uma bravura ou uma pecúnia poderia ser, nada mais nada menos, do que simplesmente fazer o que o serviço policial determina ou, então, aparecer bem na imprensa. Mas chegou a haver caso de pecúnia e bravura "moral".

A tropa respondeu de imediato. Índices de enfrentamentos aumentaram, autos de resistência se multiplicaram, e diversas denúncias chegaram aos ouvidos da Corporação e da Imprensa sobre a veracidade dessas ocorrências e das pessoas que as realizavam.

Hoje em dia, graças às pecúnias, existem Sargentos ganhando mais que Tenentes Coronéis e Majores ganhando mais que Coronéis.

Findo o Governo Marcelo Alencar, veio o Governo Garotinho, com a mesma necessidade de ter uma polícia que apresentasse ocorrências para a imprensa, para lhe dar sustentação política e eleitoral.

Novamente era necessário que policiais se "motivassem" com salários baixos que, como sempre, não podiam ser aumentados . Novamente a solução encontrada foi a gratificação.

Foi criada a denominada GEAT - Gratificação Especial por Atividade, que seria paga aos policiais que estivessem nos Batalhões, e não fora da polícia.

A GEAT, dividida por graduações e postos, durou pouco tempo. Logo o Governo anunciava a sua incorporação nos salários dos Bombeiros e Policiais Militares (mas não dos Policiais Civis, que gera controvérsias até hoje).

Novamente foram criadas outras formas de gratificação: a premiação por redução de índices de criminalidade (que seria paga aos efetivos completos dos Batalhões e Delegacias), a de apreensão de armas (que era paga ao policial ou grupo de policiais por unidade e tipo de arma apreendida) e, finalmente, a do BOPE.

No Governo Sérgio Cabral não está sendo diferente. Existem gratificações para o GAM, para o BOPE, para os "Pacificadores", para quem está na "Lei Seca", etc, etc, etc.

Na Polícia Civil também existe uma, dentre muitas gratificações, que é por trabalhar em uma Delegacia Legal. Se não me engano, ela é de 500 reais. Porém, essa gratificação imediatamente cessa caso o policial deixe de exercer sua função, seja de licença ou doença.

Ano passado o Policial Civil Alexandre Marchon foi atingido na cabeça em um confronto com marginais no Complexo do Alemão. Ele era lotado na DCOD, uma das delegacias que ganham gratificação.

Marchon permaneceu alguns meses de coma em um hospital público, em São Gonçalo, até falecer. E, por incrível que pareça, segundo fontes da Polícia Civil, sua gratificação não era paga, afinal, ele não estava indo trabalhar na Delegacia, portanto, não tinha direito de receber aquele dinheiro. Mas como ele, em coma, iria trabalhar???? Ou seja, no pior momento da vida dele e da sua família, o Policial Civil Alexandre Marchon, atingido em um confronto com marginais durante o serviço, ao invés de receber auxílio do Estado, acabou por perder o que equivaleria a 1/3 do seu salário. Veja o vídeo com a reportagem abaixo.


Alexandre Marchon morreu no Pronto Socorro de São Gonçalo, um hospital público, pouco depois dessa reportagem. E as palavras que Wagner Montes fala estão mais que certas.

Agora surge novamente a mesma "ideia nova" (de sempre) de pagar gratificações. As gratificações seriam para policiais militares que fossem aptos, sem restrições físicas/médicas, visando um aumento do efetivo nas ruas, com o fim acabar com militares que permanecem durante toda a carreira com doenças.

Ao menos uma melhora nessa nova ideia: caso o policial militar seja baleado ou sofra alguma lesão por ato de serviço, continuaria ganhando a gratificação. Ótimo!! Ponto positivo. Mas... E se o policial receber a notícia que tem câncer? E se o policial quebrar a perna na sua folga? E se o policial sofrer um acidente de carro? Automaticamente ele perderia a sua gratificação...

Imagine se você descobrir que tem câncer (ou qualquer doença séria), e que precisará ficar internado, em tratamento médico, sem poder fazer o famoso bico para complementar a renda, e saber ainda que perderá a gratificação que o ajuda a fazer um mercado ou pagar o aluguel. Desesperador, certo? Agora imagine se você morre ou fica inválido, e sua família recebe como prêmio do Estado, pelos anos de serviço, a perda da gratificação. Pior ainda, né?

Infelizmente é essa a verdadeira face das gratificações. Elas privilegiam os interesses de quem dá, seja para que alguém pilote bem um helicóptero, seja para que alguém apareça bem na mídia, seja para que alguém vá para as ruas. E, além disso, ela separa iguais, diferencia pessoas e serviços como se fossem mais ou menos importantes.

O policial militar, como o policial civil, é imediatista. Pensa no agora. Pouco importa se os aposentados ou os doentes não têm gratificação. Para ele o importante é instante. É ele estar bem, enquanto pensa que quem está "baixado" pode estar "fazendo corpo mole". Mas... e quando você se aposentar? E se for você quem "baixar"??

Enfim, estou aqui expondo apenas a minha opinião. Acho que a gratificação é a eterna arma do Governo para se "motivar" a polícia, sem ter grandes aumentos com gastos salariais, excluindo, inclusive, quem, por anos, deu grande parte da vida pela sociedade, que são aposentados (idosos) e reformados (inválidos). Espero que um dia, algum Governo (que não será esse) pense em resolver O problema e não remediar em busca de soluções baratas. Fazer polícia de verdade é caro e tê-la eficiente mais caro ainda.





Vamos Calcular???

Hoje li no jornal O Globo, com muita pompa, que 1207 Policiais Militares foram recuperados de atividades burocráticas dos Batalhões para realizarem policiamento nas ruas.

Parece que agora, finalmente, teremos muito mais policiais no Rio de Janeiro.

Não é assim que as manchetes e as declarações oficiais nos predispõe a entender?

Mas que tal esquecermos por um momento a belezura toda do discurso e verificar o que deve acontecer na prática. Vamos fazer umas contas...

Existem hoje, tirando o GAM, o BOPE e o Grupamento de Salvamento (pois não têm patrulhamento normal) quarenta e seis unidades operacionais da Polícia Militar.

Esses 1207 policiais (falaram que 200 ainda seriam avaliados, mas vou contar com eles) têm, necessariamente, que trabalhar em escalas de serviço. Digamos que essa escala seja de 12 horas de serviço por 48 horas de folga (poderia ser também de 12 de serviço por 24 de folga e, consecutivamente, mais 12 de serviço por 48 horas de folga, mas aí seria uma escala que daria menos efetivo). Caso seja a escala de 12x48, então esse efetivo de 1207 homens se dividiria por 3, ou seja, dos 1207 trabalhando em uma escala acabaria por ter realmente diariamente 402,333333 homens.

Continuando, se dividirmos igualmente esses homens (que também foram "recuperados" no interior) pelo número de unidades operacionais (capital e interior) ou seja, 46, teríamos então o extraordinário número de... 8,74 policiais militares de acréscimo por dia de serviço.

Haveria possibilidades disso aumentar, claro... Poderíamos simplesmente transferir todo esse efetivo "recuperado" do interior para virem servir na Capital. Mas acho difícil um PM que mora em Campos conseguir bancar, com seu salário de fome, as passagens de ônibus, além, claro, da distância.





Poderia também colocar todos diariamente como patrulheiros andando, mas essa escala, pelo regulamento, vai de segunda a sábado, 7 horas diárias. Eu acho que 1200 homens que perdessem o famoso bico (complemento do salário de fome) para trabalharem de segunda a sábado em pé, iria gerar um problema muito grande. Esses homens iriam passar fome no final do mês e não acho que aceitariam isso. O novo Comandante Geral poderia ter uma revolta nas mãos.

Bem... Claro que poderá haver Batalhões com mais policiais. Óbvio que alguns recuperaram mais que outros. Porém, há muitos anos, o expediente das Unidades Operacionais na capital é praticamente nulo, só composto de doentes e pessoas que respondem procedimentos administrativos ou inquéritos. Então, na média geral, teríamos 8,7 policiais por dia a mais em cada unidade operacional. Olhando desse jeito, onde está a pompa dos 1207 policiais nas ruas?

Além disso, eu sempre fui contra em se deixar largada a área administrativa das Unidades da Polícia Militar. É por esse motivo, e por essa política que é realizada há tantos anos, que a Polícia Militar está internamente totalmente desorganizada, sem regulamentação, sem doutrina, sem nada. E isso ajudou muito na corrupção interna e no péssimo serviço prestado nas ruas. Como sempre disse, uma empresa não vive só de atividade fim, pois se fosse assim o Presidente da Honda estava de macacão fazendo carros.

Bom, continuarei aqui fazendo meu papel de advogado do diabo desse novo Comando. Esperando que, finalmente, não se fale em gratificações (meu próximo tema), mas em aumento de salário (pelo menos um digno) para os policiais militares.

Tudo Novo. Mas DE NOVO???

De novo. Novamente... Mais uma vez do mesmo.

Com 12 anos de serviço na Polícia Militar do Rio de Janeiro, e tendo visto aproximadamente, acredito eu, em torno de 10 Comandantes da PM, novamente vejo um novo Comando assumir prometendo exatamente as mesmas coisas que os outros.

Novamente é realizado o discurso que há efetivo demais no expediente, que voltará a dupla de policiamento (Cosme e Damião), que o espaço será retomado com a recuperação de policiais desviados de função, que haverá policiamento comunitário, etc, etc, etc.

Por que será que o discurso é sempre o mesmo? E por que será que nunca é tocado no tema da recuperação da profissão policial, através de salários, investimentos verdadeiros nos homens, equipamentos básicos necessários para o serviço. Ao invés disso, simplesmente se manda homens desmotivados e despreparados para as ruas. Ou será que alguém ainda acredita que mudando o técnico, um time de Jorges Luiz (eleito pior jogador do Carioca 2008) se tornará um time de Kakás?

Por que será também que o efetivo do expediente é sempre o primeiro a ser retirado de funções primordiais para o funcionamento da Polícia, para serem jogados nas ruas? Será que existe alguma empresa que só trabalhe com a atividade fim? Será que na Honda todos os funcionários só montam carros? Será que na Coca-Cola todos os funcionários estão na fabricação e engarrafamento do refrigerante? Ahhh... Provavelmente na Yamaha todos os funcionários param tudo que estão fazendo nas sextas para venderem os equipamentos.

Será que havendo uma administração ineficiente não facilitaria a corrupção policial? Nas escalas fantasmas? Nas vendas de policiamento? Na falta de planejamento? Na falta de controle em várias áreas, como material bélico, material administrativo, etc?

De bom mesmo eu só achei o término dos DPO's. Acredito que o certo não seria a retirada deles, mas se colocar verdadeiramente a presença policial ostensiva nesses locais. Mas como agora isso é impossível, já que não existe efetivo, nada mais acertado do que sua retirada imediata, tendo em vista simplesmente os policiais não terem como agir naqueles locais dominados por narco-terroristas.

Mas como a esperança é a última que morre, torço para que em muito breve o nobre Comandante Geral Mário Sérgio lute pelos SEUS policiais, e não por um Governo ou uma política de segurança que só visa angariar votos. Sem um policial bem remunerado, estimulado e qualificado nunca haverá melhora na Polícia Militar. Nem que Jesus Cristo comandasse.




Privatizar o Público? Mas Por Quê?

Engraçado como nosso viajante Governador (que hoje está na China juntamente com a esposa e mais um séquito) gosta MESMO de parcerias público-privado. Principalmente se o público virar privado em prol dele.

Foi aprovada hoje na ALERJ, por proposta do Governo, uma Lei que dará mais autonomia para se contratar aquelas maravilhosas empresas, soluções eternas para o “incompetente serviço público”, que dará jeito, através de contrato de dezenas de MILHÕES de reais, em uma série de problemas no Rio.

“O governo conseguiu aprovar nesta terça-feira, na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), mais uma lei que permite que organizações não governamentais firmem parcerias com o estado para realizar os mais diversos serviços públicos, inclusive nas áreas de saúde e educação.Entidades classificadas como Oscip (que são organizações não governamentais com regras mais rígidas) poderão firmar parcerias com o governo para realizar serviços públicos em todas as áreas. Na semana passada, o governo já havia aprovado uma lei que criava organizações sociais para gerir a área cultural. A diferença entre os dois projetos é que, no caso da cultura, o governo vai criar a organização para poder contratá-la. No das Oscips, ele poderá firmar acordos com entidades já existentes.

- Pelo projeto, uma escola pode ser administrada por essas organizações. Uma organização da sociedade é para controlar o governo, não para ser cooptada por ele - afirmou Luiz Paulo."

Fonte O Globo

Ou seja, pelo o que entendi, com essa maravilhosa lei, ele poderá contratar uma empresa qualquer para gerir uma escola, um hospital, quem sabe até, daqui a pouco, um Batalhão ou uma Delegacia.

Mas não podemos dizer que isso é uma novidade para o nobre Governador, já que privatizou a comunicação social do Estado através de uma empresa chamada FSB Comunicações. Essa empresa e esse contrato já foram comentados tanto pelo ex-prefeito César Maia quanto pelo jornalista Dácio Malta. Aliás, impressionante o gasto que esse governo tem com propaganda. Até a Polícia Civil, que sempre teve sua área de comunicação social gerida por um Policial, entrou no rol das “assistidas” pela FSB. E é claro, todo mundo contratado, ganhando muito bem. Imagino então quanto a empresa ganha.

Aí eu não consigo de deixar de achar divertido. Se contrata uma empresa que, sinceramente, não acho que faz comunicação social do Governo, mas do Governador. Se ele quer propaganda de seu governo por que não tirar do seu próprio bolso? Por que ELE não contrata essa tão boa empresa para si mesmo. Por que EU e VOCÊ temos, com nossos impostos, pagar a propaganda para essa pessoa se reeleger?

E por falar em licitações, é interessante também ressaltar que estão alugando, ao menos esses através de licitações da Casa Civil, 13 veículos para serem utilizados exatamente pela Subsecretaria de Comunicação Social (aquela Secretaria que a empresa FSB domina), como se vê no pregão eletrônico 004/SSCS/2009. Será que tem tanta informação assim sobre esse governo para precisarem de 13 veículos? E quem será os motoristas para essa frota? Não duvido que existam vários policiais militares adidos ali para servirem a sociedade como valorosos… motoristas de sabe-se lá quem.

Outra licitação interessante da Subsecretaria Militar da Casa Civil é o Pregão 001/2009 (que se pode ver igualmente no link acima), que visa alugar veículos blindados no modesto valor de R$ 473.679,96. Será que tanta gente no Governo precisa de veículos blindado? São tantos os que têm a vida ameaçada? Dizem que o Subsecretário que cuida da Lei-Seca tem um só para ele. Seria esse senhor um alvo dos marginais da lei que bebem depois de cometerem crimes, e estão sendo parados naquelas belas operações? Seria ele um alvo de terroristas islâmicos alcoólatras? Alguém ao menos conhece essa pessoa? Bem, o nome dele é Carlos Alberto Lopes (li no jornal), mas não me perguntem como ele é, que eu não saberia responder. Será que, então, esse famoso desconhecido precisaria de um veículo blindado do Estado para trabalhar????? TAMBÉM QUERO! E vocês?

Enfim... Finalmente, por último, mas não menos importante, como no caso do filho do Presidente Lula, que de uma hora para outra ficou milionário com uma empresa de fundo de quintal que teria feito acordos excelentes com outras empresas que necessitavam do Governo Federal, dizem algumas pessoas que o escritório da primeira Dama (esposa de Cabral) cresceu de forma espetacular nesses últimos anos. É tão reconfortante saber que uma pessoa pode ser casada com um Governador, gerir um programa social do Estado e, ainda, mesmo viajando tanto (como para China agora) com o maridão cuidar tão bem de seus negócios particulares. Um dia serei competente assim... Já até surgiu um escândalo na revista VEJA, totalmente negado, mas não muito esclarecido. Pena que por força de lei não posso advogar também contra o Estado. No meu caso não é só antiético, mas ilegal. E logo eu que ganho mal, não tenho conjugue Governador e precisava desse dinheirinho.

Mas só uma dúvida final sobre a nossa primeira-dama. Será que eu também estou pagando a passagem dela para China? Não duvido nada. Daqui a pouco ele e ela vão querer levar até os filhos...

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