É muito triste, dia após dia, presenciar novas denúncias escabrosas envolvendo policiais. Tivemos nas últimas semanas vários policiais civis e militares presos.
Além das prisões corriqueiras envolvendo milicianos e dois policiais civis presos por, em tese, estarem envolvidos com uma quadrilha que adulterava combustíveis, tivemos dois casos bem mais interessantes. Um policial militar foi preso por, em tese, quando lotado na Secretaria de Segurança Pública na operação Noite Legal, ter tentado extorquir um empresário em dez mil reais para não fechar sua boate.
Esse policial militar seria o braço direito de alguém no topo da pirâmide, o Delegado da Polícia Civil Marco Castro, coordenador da operação Noite Legal. Segundo os jornais, o Delegado também está sendo investigado pelo mesmo fato. Importante frisar que o policial militar ao ser preso solicitou por diversas vezes para chamar seu chefe, o Delegado, e este, prontamente, defendeu o subordinado, alegando que mesmo havendo gravações da tentativa de extorsão, tudo seria apenas uma "armação" do empresário.
Na outra casa lemos semanas atrás no jornal O Globo denúncias de se deixar qualquer um (que não conheça as polícias) de queixo caído. Policiais Militares presos por ordem judicial no Batalhão Especial Prisional estariam, conforme um deles mesmo falou, vivendo em um "spa". Teriam liberdade para levar prostitutas, possuírem telefone celular (coisa que a legislação estadual proíbe) e, até mesmo, pasmem, dar uma voltinha na rua quando bem entendessem. Quem sabe aproveitando o Via Show, um movimentado Shopping ou apenas dormindo em casa, como os boatos sopram.
Quando estava de juiz militar, cheguei a ouvir o depoimento de um policial acusado de sair do BEP e ir ameaçar um Tenente da Corregedoria, através da irmã deste último. Coisa interessante é que o policial haveria saído de carona com um outro policial militar que trabalha na Unidade e estava de serviço. E mais interessante ainda, o policial militar que deu carona falou que é normal isso. Afinal o trajeto era curto, de Benfica até Bangú, sendo que a gasolina foi paga pelo bondoso policial de serviço, tudo autorizado pelo Comando da Unidade.
E por último, mas não menos importante, o jornal noticiou que denunciaram o atual Comandante do BEP, Tenente Coronel Genésio Lisboa Neves Júnior, de receber propina de um dos acusados de integrar uma milícia, chamado Mirra. Esse Mirra responde também um processo na Auditoria Militar por agredir um outro policial no BEP a coronhadas.
E qual o motivo de achar esses dois fatos mais relevantes? Simples... O Delegado e o Coronel estão no topo de suas carreiras em suas respectivas Corporações. Investigar, prender e expulsar praças e agentes da PCERJ sempre foi muito fácil. Eles são facilmente identificáveis pois são sempre os que arriscam os empregos colocando, digamos, a boca na botija. Investigar e prender quem está em cima é que não é feito nunca, a não ser quando existem interesses políticos.
Exemplos claros disso são o Tenente Coronel, o Major e o Capitão condenados, com trânsito em julgado, há anos por concussão, contra traficantes na Cidade de Deus e até hoje nos quadros da Polícia Militar.
Infelizmente as polícias são muito 'brandas' com aqueles que estão nas esferas mais altas de seus quadros, enquanto corta a cabeça (com a anuência do Governador) e expõe para a população os miseráveis que pegam 10 reais nas ruas. Não que esteja afirmando que são verdadeiros os fatos que são acusados o Delegado do Noite Legal e o Ten Cel do BEP. Não tenho provas para falar isso. Mas que deveria ser investigados com um rigor muito maior, isso deveria.
Mudando de assunto (?), por falar em ser brando, alguém viu que o Senador José Sarney recebia auxílio moradia indevido, já que morava em um apartamento do Estado? Alguém viu que de pronto ele disse que devolveria o dinheiro recebido indevidamente? Engraçado... Parece que já ouvi essa história em algum lugar, mas até agora não ouvi nada sobre se devolver o dinheiro. Esse aqui é mesmo o Principado do Rio de Janeiro.
