
A grande chance para uma real mudança na Polícia Militar seria a próxima, e tão esperada, mudança do QDE, que nada mais é que a quantidade prevista por lei de policiais militares.
Agora seria a oportunidade ímpar (óbvio, com um governo sério e interessado em uma verdadeira mudança na segurança pública, e um Comando Geral competente e sem vícios, sem interesses particulares) para a reformulação total aos moldes da Polícia Federal.
Era o momento perfeito para um concurso muito difícil, com ótimos salários e exigência total na formação, tanto de Oficiais quanto de Praças. Era o momento de pararmos de contratar peão e querer transformá-lo, à força, e sem condições, em um Bob (policial) Inglês, educado, solícito, inteligente e, acima de tudo, incorruptível, mas passando fome em casa. Essa fórmula fracassada há anos é feita, e é só perguntar para qualquer pessoa nas ruas para saber o resultado que temos hoje, o qual aposto ser bem abaixo de 34% de aprovação.
Assim, acredito eu, esses "novos policiais", concursados realmente, ou seja, com alto grau de instrução, que entrassem já ganhando altos salários e com condições reais de trabalharem bem, seriam enfim, e sem falar hipocritamente, um sangue novo na Polícia Militar. Seriam aqueles que iriam modificar (ou diminuir) a atuação dos corruptos à força, colocando, afinal, o que hoje acredito ser a grande maioria para fora, ou ao menos com medo de agirem. Teríamos um policial orgulhoso de ser policial, com conhecimento técnico e bem instruído na vida acadêmica, com medo de perder seu emprego e seu bom salário.
Mas aí teríamos uma nova polícia de verdade. Onde o amigo da autoridade é preso, o filho da autoridade é preso e, até mesmo, a autoridade é presa caso cometa um crime. Teríamos uma polícia que CUMPRE A LEI. Uma polícia para a população. Não uma polícia do Governo, que seus membros lambem os sapatos bem engraxados dos políticos a troco de uma gratificação para não passar fome. E tem muita gente que não quer uma polícia assim. Percebemos claramente, por exemplo, que após a restruturação salarial o Governo Federal não controla mais a P.F., tentando, através do Supremo Tribunal Federal, impor limitações para que ela não investigue e prenda as elites.
Enfim, alguém acha que isso acontecerá nesse Governo ou nesse Comando Geral?
Enquanto isso, um Soldado ganha 900 reais e um Tenente ganha 1600 reais, mas a Polícia Militar gasta milhares de reais do dinheiro público com festas e solenidades para comemorar(?) os belíssimos(?) 200 anos de história. A população é que o diga...
4 comentários:
A privatização do Choque de Ordem
O secretário municipal da Ordem Pública, Rodrigo Bethlem assinou convênio com a Associação Brasileira de Indústria de Hotéis para financiar uma Operação Choque de Ordem permanente na Barra da Tijuca.
Os representantes dos hotéis vão pagar R$ 2,1 milhões por dois anos, em parcelas de R$ 90 mil mensais. Em compensação caberá à secretaria de Ordem Pública impedir a presença de mendigos, pedintes, camelôs, ambulantes e o transporte alternativo.
Na prática a operação está sendo privatizada e é natural que quem paga, cobre aquilo que lhe interessa. O que não é normal é uma atividade pública de fiscalização ser paga por uma entidade privada.
Isso é o mesmo, que uma entidade empresarial de bairro pagar à PM pelo policiamento ostensivo na sua região. Logo haverá privilégios para quem paga e outros vão se sentir na obrigação de fazer a mesma coisa e aí vira um círculo vicioso.
Foi como disse no outro comentário, selecionar os melhores entre os vocacionados. Não basta ser bom, tem que ter vocação; não basta ter vocação, tem que ser bom! Só conseguiremos isso com estímulo, salários condizentes com a relevância da profissão, carreira bem definida e promoções por critérios objetivos. A PMERJ precisa de oxigênio. O povo quer uma polícia equipada e motivada, mas aqueles que a controlam preferem manter as coisas como estão, é mais lucrativo!
A linha geral é esta, apesar do seu discurso muitas vezes utópicos e reativo ao Cmt Geral.
O maior patrimônio de qualquer instituição é o capital intelectual.
Caro anônimo.
Não acho meu discurso utópico. Muito pelo contrário... Acho até que sou bem centrado e acho que tudo o que falo pode ser facilmente realizado, bastando interesse político.
Certamente não temos uma corregedoria ativa, mas reativa, facilitando a vida dos corruptos. Não temos um policial bem preparado, bem remunerado e bem equipado por culpa única e exclusiva do governo. Ou alguém acha que não é somente vontade política que isso ocorra?
E, além disso, não sou reativo ao Comandante Geral. Até porque ele, até agora, não tomou especificamente providência alguma que possa haver qualquer tipo de reação de qualquer setor da polícia. Tudo continua como sempre esteve nos últimos anos.
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