Muito interessante esse comentário de um civil que demonstra conhecer realmente nossa situação.
"É, infelizmente, nosso povo não se mobiliza para exigir seus direitos. Cada um só quer saber do seu e acabou. Isso que o senhor fala, capitão, é o que vemos todos os dias: policiais desmotivados, desvalorizados, desrespeitados, achincalhados em praça pública pelo governador, pelo secretário de segurança, pelo comando da corporação (COMANDO?).
E o que mais impressiona é que os homens da lei, os valentes guerreiros que todos os dias lutam contra o crime (pelo menos a parte que luta contra o crime, e não aquela que faz parte dele. Porque dessa, não podemos esperar nada de bom ou honroso mesmo. Não podemos esperar que o policial corrupto vá para a rua reivindicar seus direitos, melhores salários... porque a polícia é muito rentável para ele.), os homens e mulheres de bem, que encaram marginais drogados com fuzis na mão, são incapazes de se unir para enfrentar os 'homens' lá de cima?
Vocês ainda não perceberam que têm a força. Não entenderam que por mais despreparada que seja a PM, a sociedade não pode e não quer ficar sem ela. Então, olha o tamanho e a potência da arma que vocês têm em mãos. Garanto que todos já imaginaram como seria o Rio sem a PM só por um dia. Nossa, que caos seria. Mas isso nunca vai acontecer porque você regulamento a seguir, não é mesmo? Podem ser presos se fizerem manifestação, quem dirá paralisação não é mesmo?
Então, não deixem que eles te prendam. Façam isso vocês mesmos. Se todos se trancassem nos batalhões e dissessem que não sairiam por causa de todos as mazelas, aí teriam poder de negociação com o governador. Só assim... mas deixa para lá.. isso é UTOPIA.
Será que o governador já parou para pensar como seria o Rio sem a PM por um único dia? Garanto que não. Sabe por que? Por tudo isso que o Luiz Alexandre escreveu. Porque ele sabe que vocês aceitam tudo calados. Ou melhor, que só vão dar uma resmungadinha nos cantos, mas que ninguém vai ouvir.
E não são só vocês, são os colegas da PCERJ também, são os professores, os médicos, o funcionalismo público de um modo geral. Essa semana, uma pequena parcela do funcionalismo se uniu e foi às ruas reclamar dos 8% de aumento. Onde estavam vocês? Porque apesar de os jornais terem publicado que havia cerca de mil pessoas, os manifestantes não passavam de 500. E mesmo que fossem os mil citados nas reportagens. Mil pessoas? Só na PM são quase 40 mil homens e mulheres. Será que de todo o funcionalismo só mil pessoas estão insatisfeitas?
Essa semana, vi duas cenas deprimentes. Um soldado que andava com certa dificuldade porque seu coturno estava, literalmente, se desfazendo. Era possível ver a cor da meia dele, que há três anos entrou para a corporação e até hoje só recebeu um coturno - apesar de a PM ter a obrigação de fornecer, a cada ano, um novo par. Ele, resignado, disse (ainda no meio do mês) que não lhe sobravam R$ 50 para mandar consertarporque tem que dar pensão para suas duas filhas e não lhe sobra nada dos preciosos R$ 1 mil que recebe para morrer por nós, sociedade.O Estado não lhes oferece nada, só exige e vocês aceitam tudo calados. Se esse soldado precisasse correr atrás de um bandido, certamente o coturno terminaria de arrebentar e ele não teria êxito em sua missão, porque como é que se corre com um coturno aos pedaços preso aós pés?
Essa foto do cachorro magro e sarnento representa muito bem a tropa da PM hoje. Aliás, só um cachorro faminto e sarnento consegue passar 24 horas dentro de um cubículo imundo, sem portas, sem janelas, sem ventilador ou ar-condicionado, em um beco de uma favela do Rio. Esse cubículo ao qual me refiro, é um PPC (Posto de Policiamente Comunitário) de uma favela da Zona Sul. É aviltante a forma como o Estado trata os homens que garante a segurança de sua população. Esse cubículo é muito pior que o dos presídios, para onde vão os marginais que você prendem.
Com o agravante de deixarem três policiais dentro de uma favela com dezenas de bandidos armados com fuzis, por 24 horas. O que esses pobres três homens pobres, mal treinados, mal pagos, mal alimentados, mal dormidos (porque eles precisam trabalhar no dia de folga para sustentar a família. Isso depois de passarem 24 horas de serviço sem dormir, sob constante tensão) poderão fazer para impedir o crime naquela comunidade? Nada. Ou serão abatidos como animais. Eles fazem o que podem para sair dali vivos no dia seguinte, fecham os olhos...
Não se permitam ser humilhados e desrepeitados desse jeito. Não escondam essa sujeira para debaixo do tapete. A sociedade precisa ver que existem homens, pais de família por trás dessas fardas azuis e dos fuzis, precisa ver o que você passam, como vocês vivem. E como isso está diretamente ligado à segurança dela, de seus filhos e amigos."
Como ele (ou ela) diz, realmente parecemos esse cachorro sarnento. Só sendo assim mesmo para aguentar apanhar de todo mundo, passar fome, dormir em qualquer buraco com lixo e, ainda, abanar o rabo para o nosso dono, obedecendo sem discutir a tudo o que ele mandar...

Mas um dia ainda, espero, teremos vergonha na cara...