Primeiro Colocado - Categoria Política.

Quem Muito Abaixa, Mostra a Bunda

Retornando um pouco ao tema do “quem muito abaixa, mostra a bunda”, gostaria de começar este Post falando de um caso específico, que teria ocorrido no final de semana entre uma guarnição policial militar e um Procurador do Estado.

Segundo os jornais, após um acidente de trânsito envolvendo um veículo com um motorista alcoolizado (amigo do procurador) e um outro veículo, chegou, como de costume, a Polícia Militar, para mais uma ocorrência de praxe.

Entretanto, o que aconteceu, ao contrário da indignação demonstrada por muitos, também foi algo de praxe. O motorista alcoolizado ligou para um amigo, que chegando ao local da ocorrência, se identificou aos policiais como Procurador do Estado, e que ele, a partir daquele momento, estaria conduzindo o ferido para um hospital particular – claro, um amigo de procurador não pode ir para um hospital público – o que foi rechaçado imediatamente pelo comandante da guarnição, um Sargento Policial Militar.

Que após uma breve discussão, o reluzente Procurador, tirou de sua armadura brilhante - afinal, ele era um herói para o motorista bêbado– sua carteira funcional e, repito, segundo os jornais, passou a ostentar aquele precioso documento, fornecido pelo Poder PÚBLICO, no rosto do Sargento, alegando ainda que, apesar de estar fardado – provavelmente queria dizer fantasiado, E DE PALHAÇO – não passava de um negro.

Então se começam as controvérsias nas reportagens, confesso eu, não tendo maiores dados, umas, em um primeiro momento, alegavam que o Procurador havia sido preso, algemado e liberado na Delegacia, outras alegavam que, quem foi preso e algemado, era somente o motorista bêbado.

Pelo o que tudo indica, o Procurador não foi preso, não sei se pelo Policial Militar, no momento da ocorrência, ou pelo Delegado de Polícia Civil, já que racismo é crime inafiançável. O importante é que ele, o Procurador, foi embora para casa, dizendo, através da assessoria de imprensa, que nada daquilo havia acontecido e que até pediu desculpas ao policial militar na Delegacia. Ora, alguém pede desculpas por algo que não fez? E, se fez, por que não foi responsabilizado?

Será que foi a máxima que eu sempre repito? Quem muito abaixa, mostra a bunda? Será que é por isso que um Delegado da Polícia Federal se acha no direito de se dirigir à uma Unidade Policial Militar, com várias viaturas e homens armados, dar voz de prisão em flagrante, sem nem mesmo ter um flagrante, abrir um Inquérito, que não é de competência dele, e colocar policiais militares FARDADOS para serem reconhecidos na Sede da Polícia Federal de Niterói, em um lugar VISÍVEL a TODOS que passavam na rua? Independente se os policiais militares cometeram o crime ou não, o que será posteriormente julgado pela Justiça Castrense.

Será que é por isso que esperamos – nós e o público - horas em uma Delegacia Policial, esperando um Delegado que deveria estar de PLANTÃO 24 horas, almoçar, jantar, ir no banheiro, estar em diligência, ou ter saído mesmo e que se dane o mundo?

Aposto que todos aqui têm muitas histórias para contar, sobre ter sido menosprezado, quando estava de serviço, representando o poder estatal. E o pior é, quando você está certo, uma autoridade superior a você, da SUA CORPORAÇÃO, te desmoraliza perante aquela outra “autoridade”, que está desmerecendo seu trabalho, dando razão ao errado.

Dentre esses muitos acontecimentos, recordo de um muito grave, anos atrás, quando um Delegado da Polícia Civil, de folga, foi abordado enquanto discutia, com uma arma em punho, em uma briga de trânsito com um motorista de ônibus, por um Soldado da Polícia Militar. Que o Delegado deu voz de prisão ao PM e chamou a C.O.R.E. para conduzi-lo, FARDADO, na caçamba da viatura da PCERJ, só não acontecendo tal fato devido ao PEDIDO do Comandante da Unidade. Que o Delegado, além de prender o PM, conduziu-o para a Delegacia da área, que não era a dele, assumindo a lavratura do Flagrante, sendo, ainda, testemunha do fato. O Delegado foi o policial completo, que prende, autua e é testemunha dele mesmo. Nota-se, é claro, que a Delegada plantonista, para variar, não estava na Delegacia, e lá chegando, não se fez de rogada, quando soube dos fatos, pegou sua bolsinha e foi embora, deixando o colega Delegado a vontade para proceder aquele absurdo.

Além desse, que pouco saiu na imprensa, teve ainda o caso dos nossos amigos aí ao lado, onde uma guarda municipal chamada Rosimeri Dionísio, por realizar seu serviço de cumprir a lei, multando o carro do filho do Desembargador Eduardo Mayr, foi conduzida a uma delegacia policial, onde respondeu por desacato a autoridade e abuso de poder - só rindo. Enquanto o Desembargador foi homenageado num ato de desagravo que reuniu 280 juízes e desembargadores na Escola de Magistratura, repito, tudo isso foi tirado da revista “Isto É”.

Pergunto então, quantas vezes, ao se identificarem como “colegas”, não mandamos diversas classes de funcionários públicos seguirem viagem, como Promotores, Delegados, Inspetores, Agentes da P.F., da P.R.F., do Desipe, etc? Será que eles fazem a mesma coisa conosco? Acho aqui, que todos sabem a resposta. Não deveríamos ser mais exigentes com eles também e mostrar que a lei é para todos, independente de cargo público? Não devíamos dizer:
- Bom dia Sr. Delegado. O senhor desembarque do seu veículo e me acompanhe na revista, além dos documentos obrigatórios, claro...

Não estou, através dessa postagem, visando fomentar discórdia entre instituições, muito pelo contrário, afinal, em tese, todos somos funcionários públicos, estamos aqui para servir a população. Já que todos querem um bem comum, devemos nos ajudar. Porém, quem trabalha no dia a dia nas ruas, sabe que não é assim que a coisa funciona, como prova uma das muitas histórias que somente eu teria para relatar.

Quem sabe, quando nos posicionarmos como policiais, que devem ser respeitados quando executando um serviço policial, como representantes do Poder Público, não importando com outros fatores além da lei, isso comece a mudar.

Quem sabe, quando alguma “autoridade” ou amigo de “autoridade” nos chamar de “polícia de merda”, “ladrão”, “corrupto”, “negro”, prendermos, algemarmos e conduzi-lo à Delegacia, não aceitando os famosos “pedidos de desculpa” e o “deixa pra lá”, levando até as últimas conseqüências - como Delegacia de Dia, Corregedoria e até Plantão Judiciário apresentando a um representante do Ministério Público - não nos passem a ver com outros olhos, pensando duas vezes antes de fazer ou falar algo.

Com certeza, certas atitudes que tomamos, nos levam a ser o que somos hoje, uma polícia que não é bem vista, e muito pior, nem mesmo é respeitada, tanto pela população, quanto pelos outros órgãos públicos e seus representantes, que se acham superiores ao “guardinha” da esquina. E isso se reflete diretamente na nossa questão salarial, na nossa posição social, até mesmo no nosso amor institucional e amor próprio.



Quem muito abaixa, mostra a bunda. Deixa eu me levantar...

Continuação das postagens anteriores...

Enquanto nosso Exmo. (e excelente) Governador atua veementemente na nossa Polícia Militar, prioridade de seu Governo, como ele mesmo prega, continuou nossa intervenção da Polícia Federal no Estado do Rio de Janeiro. Qual seja, ora realizar o serviço que a Polícia Civil deveria executar, investigando e prendendo todo o tipo de contraventores, prendendo e excluindo da Corporação policiais que, em tese, seriam corruptos - como preso e noticiado no jornal O Dia, onde um Inspetor com salário de R$ 1.900,00, lotado até a 1ª Operação Furacão no Gabinete do Deputado Pisciani, tem mansão de R$ 700.000,00 - e atuando contra, até mesmo, TV’s a cabo clandestinas; ora a PF abre inquéritos em suas Delegacias (CRIMES FEDERAIS), onde sabidamente o crime seria de competência militar, entrando em uma Unidade Policial Militar, com homens armados, em vez de executar os meio legais institucionais, quando acontece da mãe e a cunhada de um Delegado Federal alegarem terem sido vítimas de concussão, conforme amplamente noticiado na última semana nos jornais.

Será que não ficaria menos feio para nosso Estado termos policiais bem remunerados, que se sentissem orgulhosos de sua profissão, que atuassem como a Polícia Federal, onde um Agente ganha inicialmente R$ 6.000,00, desvendando crimes e atuando com vontade de combatê-lo, ao invés de juntar-se a ele? Os boatos falam que o Exmo. Governador aponta com um aumento expressivo de 7% para esse ano.

Até quando essa intervenção branca da Polícia Federal vai ser realizada? Talvez, em breve, tenhamos Delegados assumindo Batalhões também, já que estão na cúpula da Secretaria de Segurança Pública e se acham até no direito de invadirem as Unidades Policiais Militares. Será que se fosse uma Unidade do Exército, entrariam dessa maneira? Quem já ouviu falar na frase: “quem muita abaixa, mostra a bunda”? Até quando vamos ter que aturar esse mico e segurar essa banana? Me sinto como esse cara aí de baixo.

Finalmente vou comentar o que considero mais importante das últimas postagens: rumores oriundos da caserna relatam que alguns Oficiais insatisfeitos com seus salários (qual o policial militar estaria satisfeito?), começam a se reunir, visando sugerir mudanças drásticas nas atuais negociações existentes entre o Comando Geral da Polícia Militar e o Governo do Estado.

Esperamos todos que esses Oficiais, caso realmente haja esse movimento, estejam com apoio de nosso Comando Geral e que, a exemplo dos nossos Sargentos Controladores de Vôo da Aeronáutica - que conseguiram, através de Medida Provisória, uma gratificação para seus salários - idealizem ações, sempre respeitando a hierarquia, disciplina e a lei, para que o Governo Estadual cumpra suas promessas de campanha. Promessas essas que garantiriam dar aos policiais militares, finalmente, um salário menos vergonhoso.
Os rumores alegariam, ainda, que a proposta desses Oficiais seria a tão sonhada equiparação do último posto da Polícia Militar (Coronel) com o último posto da Polícia Civil (Delegado de 1ª), para, a partir de então, haver o escalonamento vertical, descendo do Ten. Cel. até o Soldado. Tal escalonamento, que já é previsto em lei, não precisaria de mais nada para ser feito, apenas posto em prática, só falta o famoso interesse político. Mas, enquanto isso, continuamos com belas imagens retradas do jornal, como as que estão a seguir e que, particularmente, acho um soco no estômago, porque amanhã qualquer um de nós poderá estar nessa maca, enquanto isso:

Alguns ainda estão se divertindo...

Continuação da postagem anterior...

Outro assunto que anda consumindo muitos Oficiais é o comentado aumento do interstício. Dizem que será aumentado de 3 anos, para 5 anos do Posto de 1º Tenente para Capitão e nos demais Postos de 4 anos, para 5 anos.

Engraçado, como normalmente se ouve para praças propostas contrárias, sempre se referindo à diminuição do interstício desses. Mas para os Oficiais, além das intermináveis, e sempre prorrogáveis, horas do expediente, temos, ao contrário da maré, um aumento no tempo para promoção.

A muito tempo, o Estado do Rio de Janeiro usa as promoções na Polícia Militar e no Corpo de Bombeiros como aumento salarial. Já que não nos dão um aumento na folha de pagamento, uma estrela a mais no ombro e sua conseqüente elevação do soldo, mesmo que seja de parcos 300 reais, é alguma coisa. Nosso novo quadro Institucional aponta para novos horizontes, pois até a promoção agora irá demorar mais, ou seja, mais tempo para ganharmos um pouquinho mais nos contra-cheques, vamos ter que fazer o dinheiro dobrar – vai ver cortando ao meio dá certo.

Quisera eu ser do Paraná ou de Santa Catarina, onde as promoções demoram mais, mas em compensação, um 1º Tenente ganha R$ 4.200,00, ou ainda Brasília, onde o Aspirante sai ganhando R$ 3.600,00. Vai ver que é por isso que estão mudando aqui o tempo do interstício, pois nos darão generosos aumentos.

Enquanto isso, a Polícia Militar vai se preparando para o PAN, onde, inclusive, os Capitães que estão fazendo nosso valoroso Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais (C.A.O.), serão empregados numa larga e digna escala de serviço: 12x24 – 12x48. Pena que não abriu para a minha turma esse ano, senão também estaria nessa moleza.
Mas não pensem que enquanto isso a Polícia Militar está parada, já que assumimos mais uma atribuição, qual seja: segundo o Jornal O Dial, a de cadastrar interessados na aquisição da casa própria pelo Estado, separando um policial especificamente para tal serviço, onde o Comandante da Unidade recolherá, no café comunitário, os formulários. Que bom, mais serviço!!! Afinal, até propostas de líderes comunitários para a Segurança Pública já recebemos, propostas para a casa própria é mole...


Continua...

PAN, Serviço, Mais Serviço, MAIS SERVIÇO, Troca das Viaturas, AUMENTO DO INTERSTÍCIO E ALGO (OU ALGUNS) ESTÃO SE MEXENDO ou tentando...

Tenho acompanhado nas últimas semanas pelos jornais, que são realmente a única fonte de informação que nós, policiais militares temos (apesar de não serem precisas), diversas notícias-novidades. O que mais chama a atenção é que cada uma é mais espantosa que outra. Umas por serem excelentes, outras por serem inacreditáveis no contexto atual. Mas infelizmente, o pior de tudo, que até as excelentes idéias nos são apresentadas, repito, pela imprensa, de forma inviável nas aplicações práticas.

Vou começar falando sobre o noticiado pelos jornais, principalmente pelo O Dia, sobre a frota das viaturas policiais que temos na PMERJ. Foi informado na reportagem que o Governo Estadual decidiu alugar as viaturas utilizadas para a Polícia Militar, como acontece em diversos outros órgãos, um deles é o DETRAN.

Que enquanto as “novas” viaturas são alugadas, as “antigas” serão vendidas, reduzindo a frota de aproximadamente 3.600 para 1.600 carros. Como alegado na reportagem, a aparente incrível diminuição no número de veículos empregados, não repercutirá diretamente no policiamento ostensivo, tendo em vista que, em verdade, a grande parte das viaturas operacionais atuais estão paradas aguardando reparo ou rodando “sucateadas”.

Com o aluguel das viaturas, os problemas gerados pela manutenção dos veículos pela Polícia Militar seriam sanados, já que, segundo o que se diz, em 24 horas haverá uma viatura nova rodando para substituir outra alugada que seja danificada por qualquer motivo.

Gostaria, antes de comentar sobre isso, informar ao cidadão comum que lê este blog, o que ocorre com as viaturas policiais militares para se encontrarem no estado deplorável que estão.

Ao contrário do que todo civil pensa, a Polícia Militar não possui uma verba própria para a compra de peçasd e reparo de viaturas e na compra de, por exemplo, material de escritório. O único dinheiro que mensalmente chega às Unidades é o dinheiro destinado ao rancho, ou seja, o dinheiro destinado à alimentação do policial militar que se encontra trabalhando.

Note-se que essa alimentação feita pelo policial militar, é obrigatória, já que existem determinações proibindo o policial de entrar em estabelecimentos comerciais quando fardado, ou seja, proibindo-o de se alimentar fora do aquartelamento - somos tipo o Robocop, que de noite comia papinha. Então, a princípio, a comida nas Unidades deveria ser destinada ao condicionamento policial e balanceada para que durasse um dia ou uma noite toda de serviço. Melhor dizendo, deveria ser excelente.

Porém, como relatado antes, as Unidades não possuem verbas orçamentárias, tendo que aproveitar o dinheiro destinado à alimentação, que ao contrário também do que se pensa, é idêntica entre Oficiais e Praças, ao conserto de viaturas, compra de material de escritório, material de limpeza, etc... Como o valor é em torno de 2 reais, por policial, por dia para café, almoço, janta e ceia, pode-se ter uma idéia que não sobra muito para o resto.
Então, em um primeiro momento, para os policiais militares será excelente essa mudança, pois todo o dinheiro destinado ao rancho será para lá e para os materiais de escritório e limpeza, deixando-nos livres das responsabilidades e despesas das viaturas, que nos sugam energias, policiais, dinheiro e propiciam o desvio de peças e o sucateamento das viaturas.

Mas e a parte prática do aluguel?? Como será realizada?? Vamos imaginar o aluguel de 1.600 viaturas, não acredito que por uma única empresa, cobrando não uma diária para uma pessoa comum, mas uma diária para uma viatura. Obviamente que é muito diferente, não só pelo seguro, que seria absurdamente maior, tendo em vista a possibilidade diária da viatura sofrer algum dano, além da empresa locadora ter que preparar o carro para ser uma viatura (giroscópio, sirene, adesivação, número de ordem e GPS), impedindo que ela alugue-o para outra pessoa.

Digamos que uma viatura seja alvejada por 30 tiros e fique totalmente inutilizada. Como que, em 24 horas, será possível adesivar um novo veículo, trocar o rádio, colocar o GPS e configurá-lo na central, numerá-la, etc, etc, etc??? Será tão fácil tê-la rodando novamente em 24 horas como se apregoa?

E as viaturas que temos novas, serão vendidas como sucata? E as viaturas administrativas, também serão alugadas? E as viaturas cedidas pelo Governo Federal para o PAN, serão devolvidas? É algo a se pensar, pois já que não teremos mais setores de manutenção de viaturas, como consertaremos essas, caso permaneçam?
continua...
eXTReMe Tracker