ONG's, Caveirão, artistas, tráfico e moradores.

Enquanto estou aguardando a chegada de informações salariais de outras polícias, tanto do 1º Mundo (USA e Inglaterra) quanto do 3º (Colômbia e Paraguai) vou postar algo relevante e minhas opiniões sobre o texto que li do Asp de Sousa no Diário de um Policial Militar, que fala sobre as ONG's não aceitarem as operações policiais em favelas e sobre alguns comentários que falam sobre a população residente naquele local.

Bem, para começar, podemos citar as denúncias que várias Organizações dessas estariam envolvidas em lavagem e desvio de dinheiro, como cita o Jornal O Globo em 06 de fevereiro, onde a ONG Associação Educacional São Paulo (AESP) levou "apenas" 33 milhões de reais do Governo Rosinha, dos quais 20 milhões nos últimos 21 dias de dezembro passado, ou seja, no apagar das luzes. E também citação da própria Rosinha, quando acusa a Rede Globo de ter uma conta nas Bahamas com mais de 100 milhões de dólares, a mesma Rede Globo que patrocina a ONG Viva Rio e recebe para isso, do Governo Estadual, verbas para programas educacionais, e que tal empresa desviaria ICMS arrecadado com as TV's por assinatura (Estadão 21/12/06).

Vemos também artistas, ligados à ONG's, que atacam diretamente a polícia e a forma como enfrentamos essa guerra. Sim, uma guerra, porque o que fazemos no Rio de Janeiro é uma contra-guerrilha urbana, não um policiamento de cidade.

É o caso da senhora Regina Casé, artista da Rede Globo, que realizou campanha maciça contra os blindados cariocas, tendo inclusive feito uma reportagem para o site da Anistia Internacional onde entrevista várias crianças. Chega a ser hilário quando ela pergunta à uma das crianças sobre do que ela têm medo. A resposta da menina é do bicho papão e do caveirão. Não da fome, ou da situação social em que vive, ou dos marginais 24 horas armados em sua porta, mas do Caveirão. Salta aos olhos a forma tendenciosa que é dada à entrevista, pena que não achei mais ela no site americano da Anistia Internacional, mas a campanha está em http://web.amnesty.org/library/Index/ENGAMR190072006?open&of=ENG-384. Reparem na letra da música feita por um morador da Maré.

Será que se essa atriz tivesse um filho nas fileiras da polícia, seria contra o uso de um equipamento para a proteção dele?? Será que os colegas dela, ou de outros, que defendem o fim dos nossos blindados, único meio de proteção contra os implacáveis tiros de fuzis de todos os calibres, estão se arriscando como os nossos policiais militares fazem, verdadeiros "filhos de Zé", ao, por força legal, terem que entrar em favelas dominadas por bandidos??

Alguém desconhece, não digo que seja ou não o caso da senhora acima citada, que no meio artístico existe grande consumo de drogas? Quem não lembra do filho da Sandra de Sá, Jorge Frederico de Sá, que, após ser preso com vários comprimidos de ecstasy, foi trabalhar em Malhação, ganhou programa na MTV e agora entra em nossas casas na novela Páginas da Vida? Ou do ator Charles Paraventi, o Afrânio, também de Malhação, que foi duas vezes preso, tanto portando drogas, como tentando corromper um policial, e entra em nossas casas como um professor (é o fim) de Biologia? Isso é exemplo para ser mostrado?? Será que, indiretamente, o tráfico de drogas interessa às classes mais abastadas da população? Alguém desconhece que as associações de moradores, ligadas aos mais diversos tipos de ONG's, são muitas vezes coniventes com os traficantes, chegando ao ponto de ocorrer grandes apreensões de drogas e armamentos em suas sedes? Que elas são a porta de entrada para qualquer programa de TV ou filmagem que exista na favela, obtendo "autorização" do tráfico?

Com o combate mais intenso da polícia nos redutos dominados por traficantes de drogas (favelas), obviamente o usuário com maior possibilidade financeira se afasta daquela zona de conflito, propiciando, então, um mercado no asfalto, que embora deixe o produto mais caro, compensa pelos serviços de delivery e o pouco risco do usuário "ser preso". É onde a classe média, já corrompida e já financiadora do tráfico nas favelas, passa a ver como oportunidade de negócios o intercâmbio da mão do fornecedor (traficante) até a mão do usuário final, executivos, artistas, jornalistas e etc, se tornando sócia do tráfico, ou seja, traficante. Exemplos, como o de "cidadãos respeitáveis", mostrados ao lado (site da Polícia Civil - RJ), moradores da Zona Sul de Niterói e, na maioria, Universitários e já formados, presos traficando drogas, estão pipocando aos montes.

Obviamente que quando isso acontece, acompanhando o raciocínio acima de enfrentamento, a população marginal das favelas, que antes tinha o negócio das drogas como possibilidade infinita de emprego e renda alta, começa a deslocar a forma de crime. Óbvio! Quem estava acostumado a ganhar R$ 500.00, R$ 1.000,00 reais por semana não irá se contentar com um salário mínimo por mês e, a partir daí, começa o êxodo da criminalidade para o asfalto, atingindo em cheio a classe média.

E por que a classe média é a mais atingida??? Vocês acham que a família Marinho sai de casa sem dezenas de seguranças? Ou que os membros do executivo, legislativo e judiciário têm tantos policiais à disposição para quê? Ou que um marginal vai assaltar um mendigo, alguém que tem menos que ele? Então a classe média, com seus carros e suas rendas cada vez mais baixas, são diretamente o alvo dos marginais, tanto pela facilidade, afinal não têm seguranças, como pela disponibilidade imediata dos bens cobiçados por quem não os têm.

E para a população residente nas favelas, tão mencionada como vítima dos marginais, o que fazem com que eles se tornem "reféns" dos criminosos? Criminosos esses que os "obrigam" a correr no meio de tiroteios entre policiais e traficantes e, hoje, com mais um personagem, os milicianos, a fim de que sejam atingidos para realizar, "obrigados", protestos.

Bem, a partir daqui, posso falar por experiência profissional, e não por achismos, ou dados técnicos analizados e etc, afinal, não sou nenhum policiólogo ou Doutor em Sociologia ou Antropologia.

O morador da favela, pelo menos em sua maioria, gosta do tráfico de drogas. Absurdo!! Dirão muitos.. Eles são simplesmente vítimas, como nós somos, da criminalidade. Mas como afirmado acima, minha experiência, que é muito pouca, apenas 10 anos de polícia, diz ao contrário.

Ocupei o Morro do Alemão, mais especificamente na localidade conhecida como Grota, logo após a morte do jornalista Tim Lopes, que lá havia filmado a reportagem sobre a feirinha das drogas e, logo após, foi sequestrado naquele local e morto na Vila Cruzeiro. Ficamos ocupando aquela localidade aproximadamente por 6 meses, obviamente, não para acabar com o tráfico de drogas no local, o que é impossível, devido a dezenas de entradas para aquele morro, mas simplesmente para "dar uma resposta" à população, como se em diversas outras favelas não houvesse aquilo.

A cada dia que passava, eu, ainda, como um 2º Tenente, recém saído da APM e, até diria, isento de preconceitos em relação aqueles moradores, já que, como todos nós, sempre ouvi que eram vítimas, pude perceber aos poucos que a presença da polícia naquele local não era vista com satisfação. Estranho, achava eu, afinal de contas, tínhamos acabado com aquela pouca vergonha que ali reinava, com vagabundos armados com fuzis, passando ao lado de crianças e idosos, impondo sua regras. Agora, apesar de ainda haver tráfico, os tiroteios haviam sido minimizados, a polícia estava pronta para atender a qualquer chamado, inclusive social, o que até foi feito em uma ocasião, quando uma senhora grávida foi transportada em uma de nossas viaturas para o hospital, a fim de ter seu bebê.

Então qual o motivo dos moradores demonstrarem explicitamente sua insatisfação? Tirando alguns poucos senhores e senhoras de idade, que quando passavam por nós, faziam questão de elogiar aquela ocupação e o nosso serviço e, ainda, desejar que ficássemos com Deus, os moradores de idade mediana e o jovens nos olhavam quase que com raiva, em sua grande maioria. Por que, tanta resistência ao solicitar entrar em alguma residência a fim de verificar um possível marginal omiziado ou identificar locais onde os marginais ficavam? Muitos novamente dirão que eles sentiam medo. Medo do que lhe poderia acontecer se deixassem, se ajudassem. Até onde isso é verdade?

Digamos, que EU fosse um morador de um lugar qualquer, favela, asfalto ou interior, dominado ou não pelo tráfico especificamente e que, todo dia eu fosse trabalhar em algum lugar distante de lá. Digamos também que eu, como pessoa honesta, séria, que não tivesse interesse nenhum naquela situação, ficasse cada vez mais revoltado e até temeroso com os assassinatos que assistia, pois um dia poderia ser o meu assassinato, com as crianças sendo levadas à praticar crimes, pois um dia poderia ser meu filho. O que eu poderia fazer? O que me impediria de ligar, anonimamente, distante de casa, para um Disque Denúncia, Batalhão da área, Delegacia, Ouvidoria, Exército, Câmara dos Deputados, Ministério Público, etc, dizendo onde ficam armas, drogas, nomes e descrição de quem pratica crimes? Medo de ser pego??? Mas seria anônimamente, ou seja, poderia ser qualquer um que tivesse denunciado.

A resposta que obtenho é simples. É interessante que o tráfico de drogas permaneça naquele local. Interessante para todos... Quando o tráfico não dominava, apenas existia a polícia, único braço do Estado que entrava na favela, tinha a liberdade de "fazer o que quisesse". Espancava, invadia, furtava e roubava, sem nenhuma resistência, é o que falam os antigos e, em muito, isso era uma verdade. Aos excluídos, não adiantava nem reclamar, pois os tempos eram outros. A partir do domínio do tráfico, os policiais têm resistência para suas atitudes, têm resistência tanto financeira, ao serem corrompidos para lá não irem, quanto resistência armada. Muitas vezes até advogados do tráfico dirigindo ações para que futuras operações policiais não mais houvessem, através de denúncias, protestos, pressões pela imprensa e etc.

Outro ponto que chama a atenção também é o incrível movimento de pessoas que o tráfico de drogas proporciona à essas localidades. Alguém não se lembra das imagens geradas pelo Tim Lopes na Grota? Mais parecia uma feira livre, isso altas horas da noite. Quem ia cheirar uma carreira de cocaína, comia e bebia naquele local também. Mas quando eu estava ocupando a região, aproximadamente 18:00 horas todos os bares, biroscas, supermercados, barraquinhas de cachorro-quente fechavam. As ruas ficavam desertas. Obviamente os comerciantes dali nos viam como um prejuízo não para o tráfico de drogas, mas um prejuízo para os seus negócios.

Ainda mais... Quem combatemos ali?? Meus filhos? Os seus?? Ou os filhos dos moradores que, com seus empregos alternativos, muitas vezes são a maior, senão, a única fonte de renda para aquela família. Agora vamos pensar um pouquinho.. quem quer ver seu filho morto ou preso? Quem quer que seu negócio, sua "birosquinha" fique sem clientes, porque um bando de policiais estão atrapalhando o comércio principal de onde mora? Os moradores são realmente obrigados à protestar contra a polícia? Eles precisam ser obrigados ou têm razão mais do que suficiente para fazer isso? Sem contar, logicamente, que muitos moradores também consomem drogas. Ou o leitor acredita que isso não é uma verdade? Lá as drogas fazem parte do seu mundo, da sua cultura. Quem nunca de nós colocou um cigarro comum na boca, ou experimentou um copo de cerveja por ser nossa cultura? A mesma coisa acontece nas favelas, sendo que em algumas o tráfico se sustenta pela venda aos próprios moradores.

Ao morador, cabe, caso seja interessante, apoiar o tráfico de drogas até o momento em que lhe convier. É o caso que ocorre quando há invasões de facções rivais, onde os moradores denunciam à polícia e a todos os órgãos possíveis onde e quem são os marginais "invasores".

O fenômeno das milícias são casos à parte, pois uma das primeiras coisas que fazem ao "tomarem" uma favela, é agir como uma intervenção militar, colocando para dirigir as associações de moradores pessoas que aceitam suas idéias. A polícia também respeita os moradores por estarem "protegidos" por colegas e que estes, caso façam algo "errado", terão sua punição de forma interna. Mesmo assim, existem muitas denúncias contra as milícias. Se o morador não coaduna com o tráfico, porque ele denunciaria a milícia?? Obviamente saindo a milícia, o tráfico volta.

Quanto às operações policiais propriamente ditas, cabe à Polícia, órgão, a princípio, estruturado e preparado para tal, organizá-las, claro que procurando minimizar baixas, o que infelizmente não é possível sempre ocorrer. Como disse antes, a situação apresentada é de contra-guerrilha, não de policiamento comum, como o feito na cidade de Nova York, Londres ou Paris. Alguém duvida disso? Que fique bem claro que isso é minha OPINIÃO PESSOAL.
Um detalhe, alguém viu o Exército Brasileiro ser enfrentado, como se estivesse enfrentando um inimigo numa guerra, na Providência e no Alemão? Alguém viu o mesmo Exército Brasileiro, quando realizou suas operações, se explicando para ONG's? Alguém lembra dos protestos dos "pobres moradores" contra as Forças Armadas?

O mais engraçado é que nós, que pagamos impostos, contas de água, luz, telefone e todo o resto que sustenta o Governo e respeitamos a lei não temos direito a frenquentar a Praça da esquina, primeiro porque ela está destruída e segundo porque não existe segurança. Para o meu filho, se eu quiser que ele faça inglês, informática, esportes, tenho que pagar, e caro, cursos, além do meu aluguel e IPTU, para não perder a casa. E quanto aos moradores de favelas? Eles pagam impostos? Pagam contas? Moram longe do trabalho como eu e vc, porque simplesmente não temos dinheiro suficiente para viver perto do Centro da Cidade ou da Zona Sul? Pagam para aprender informática, inglês, esportes?? Ou isso tudo é, muitas vezes, "dado" para eles através do nosso financiamento (dinheiro dos inpostos), como Vilas Olímpicas, projetos de línguas e informática gratuitos? E os políticos que fazem todos esses projetos e conseguem milhares de votos nessas favelas, onde têm verdadeiros currais eleitorais, com a desculpa de estarem incentivando a população carente à irem trabalhar, mesmo que ganhem R$ 350,00 contra os até R$ 4.000,00 mensais do tráfico? O tráfico é interessante ou não para muita gente?


Luiz Alexandre

18 comentários:

Alexandre de Sousa | 19 de Fevereiro de 2007 09:48

O blog já disse a que veio. O texto é ótimo e mostra, com clara e convincente argumentação, porque o tráfico é conveninente para os próprios moradores das favelas, que tendem a ser mostrados como "coitadinhos". E sem se basear nos escritos de fulano ou nos estudos de Beltrano, mas em anos de experîência na profissão. Por isso mesmo, muito importante na formação de opinião de quem está buscando se inteirar melhor do assunto. Capitão o senhor está de parabéns! O blog vai longe, pode ter certeza.

Militar Indignado | 19 de Fevereiro de 2007 11:18

Brilhante texto.

Logicamente, o tráfico é uma fonte de recursos muito grande para a população de áreas mais pobres, onde é normal uma família sobreviver com R$100 mensais.

Para muitos, o tráfico é importante, pois, como você já disse, os usuários de drogas é consomem alimentos e bebidas e, com isso, quiosques, bares e quitandas conseguem lucrar. É importante, também, pois atua onde o estado falha, ou seja, o tráfico ocupa as lacunas do estado: oferece dinheiro, remédios, alimentos e, principalmente, fonte de renda para as famílias.

Mas, uma questão que você não colocou é a invasão de pessoas não ligadas à área. Com o maior combate entre traficantes passou a ser normal marginais de outras comunidades comandando o tráfico em regiões invadidas. Com isso, o tráfico assistencialista acaba e surge aquele com forte presença da força: execuções, estupros, violência generalizada, confontros armados e imposições.

E com essas invasões, há o apoio efetivo da população?

Provavelmente não, mas com medo de morrer, muitos fingem apoiá-los a fim de manter a vida e muitos que estão "de fora" da realidade entedem que há o apoio, visto que os moradores não enfrentam o tráfico (logicamente, ninguém quer morrer!).

Luiz Alexandre | 19 de Fevereiro de 2007 13:01

Valeu de Sousa.. Torno a repetir que não me considero alguém experiente pois tenho somente 10 anos de polícia. Muito pouco qdo comparado à Praças e Oficiais com muito mais tempo de vivência profissional. Apenas gosto de observar determinados fatores e estou tendo a oportunidade de mostrá-los aqui, o que esse militares "da antiga", em sua maioria, não tiveram.
Torno a deixar bem claro que isso é somente minha OPINIÃO PESSOAL e que respeito todas as opiniões contrárias. Todas as postagens aqui que não forem realmente ofensivas, serão aceitas, expressando qualquer opinião.
Abraço para vc.

Luiz Alexandre | 19 de Fevereiro de 2007 13:04

Qto ao comentado pelo Militar Indignado, postei algumas palavras.
"Ao morador, cabe, caso seja interessante, apoiar o tráfico de drogas até o momento em que lhe convier. É o caso que ocorre quando há invasões de facções rivais, onde os moradores denunciam à polícia e a todos os órgãos possíveis onde e quem são os marginais "invasores"."

Concordo com o comentário. Realmente em uma invasão o assistencialismo muitas vezes acaba, já que em um primeiro momento os "invasores" querem demonstrar sua força. Diversos moradores aceitam aquela situação visando evitar problemas (serem mortos, expulsos, etc).
Mesmo assim ainda existe, e muitas vezes acontece, a possibilidade do denúncismo por esses moradores. Torno a firmar minha opinião que, caso fosse realmente interessante para eles, poderiam ligar para o Disque Denúncia e mais uma dezena de telefones disponíveis, de qualquer orelhão e nunca conseguiriam associá-los.
Em muitas invasões isso até acontece. Os moradores insatisfeitos com os "invasores" começam a denunciá-los, a fim de que sejam enfrentados pela polícia, se enfraqueçam e retornem os antigos traficantes.

Anônimo | 19 de Fevereiro de 2007 21:32

Apenas um último comentário: Cap Alexandre, antes de PENSAR em comentar algo sobre Polícia Militar, seja aqui ou em seu blog, primeiro volte a ela, para trabalhar nela. Pare de se esconder e carregar maletas e abrir portas na AJMERJ.
Lembre-se: Atualmente, você é apenas um serviçal a mais, na AJMERJ. Como Oficial PM não tem valor.
Como aqui a publicação é 'censurada', tenho minhas dúvidas se você vai publica-la. mas mesmo que não publique, você já a leu!

Samango.

Luiz Alexandre | 20 de Fevereiro de 2007 00:12

Amigo Samango, já que aqui é um espaço meu, onde coloco minha opiniões, posso me expressar melhor.

Não carrego maletas ou abro portas, mas repito que entre fazer isso, como Oficial que SOU, e ser envolvido com bicho, van, empresa de ônibus e etc, ou não ter coragem ou moral de ir à frente de uma tropa, até preferiria fazer o que vc falou. Pelo menos poderia até estar me tornando um puxa-sacos, mas não estaria me tornando um bandido ou um covarde. Pq quem faz isso é sócio do criminoso e pelas mesmas penas deveria pagar.

Vc ainda deve ser muito moderno para saber a realidade da polícia e nem ao menos sabe pq estou lá, mas qualquer dúvida pergunte para alguém da minha turma que provavelmente saberá.

Muito mais serviçal são determinados Oficiais e Praças que se vendem por qualquer dinheiro. São serviçais do crime organizado, são serviçais da podridão que reina na Polícia Militar, cobrando dinheiro internamente para realizar o que seria obrigação de ofício, fazendo com que diversas pessoas sérias sintam vontade de sair. Creio que mesmo que você seja muito moderno, deve saber do que estou falando.

Qto ao tema que está reinando no Projeto 200 anos, sobre os Oficiais e Praças que estão fora da polícia, aonde tenho certeza que vc se inspirou para tentar me desvalorizar ou ofender, saiba que tudo não passa de uma grande hipocrisia. Como disse, tenho 10 anos de polícia e ainda não conheci UM que não tivesse vontade de servir em algum órgão externo à Corporação. Até quem jurou que nunca iria, depois de 2 anos de formado já pensava no assunto. Ahhhh.. claro, têm algus que não querem mesmo, pois se saírem das Unidades Operacionais poderão ter prejuízos financeiros (são os boatos). Com certeza se vc, como disse que eu tenho, tivesse a oportunidade de "uma boquinha", talvez fosse e ainda falasse mal da briosa. Torno a repetir, estou na Auditoria pq tenho motivos. Eu nunca saí da polícia desde meu ingresso e sei que em breve devo voltar.

Como em um comentário vc se referiu ao Sr. Major Wanderby, saiba que ele chegou à viajar na Missão Internacional pela ONU, ficando à disposição daquele órgão e, por motivos que concordo integralmente com ele, decidiu voltar. Nem por isso ele pode ser criticado por se afastar da polícia, pois estava simplesmente tendo uma experiência profissional, como eu agradeço por estar tendo tb. Experiência essa minha que oxalá todos tivessem, pois ficariam assustados como nos vêem e como as coisas funcionam fora da PM.

Agora, pode continuar lendo o Projeto 200 anos e outros, acreditando em tudo o que é "martelado" em sua cabeça por repetição em favor de um pretenso idealismo, que na verdade está servindo ao interesse de alguns, pode ter certeza.

Aqui no meu Blog falo sobre POLÍCIA MILITAR SIM!!! Tenho moral, conhecimento e inteligência suficiente para expressar minhas opiniões sem ofender à ninguém, por isso até moderei os comentários. Ofensas a mim, sem problemas, a outros não aceitarei.

Se teve paciência de chegar até aqui, vamos parar de discutir, pq é sempre isso que acontece na PM, os bons brigam entre si e os maus se unem. Vamos expressar nossas opiniões e nos unirmos, pois somente assim teremos em médio prazo uma Polícia Militar melhor. E apesar de nossos pontos de vistas divergentes, vejo que no fundo vc é uma pessoa interessada em fazer mudar as coisas.
Minha continência para vc meu amigo.

Ferreira | 22 de Fevereiro de 2007 11:25

Ótimo texto capitão. Apesar de 10 anos de serviço o senhor já demonstra uma excelente bagagem. Mas Caveirão? Já deu né?! rs

Gustavo de Almeida | 22 de Fevereiro de 2007 18:02

O texto é brilhante e devo escrever em breve, no meu blog no JB ON Line, um artigo de teor semelhante.
Quanto a alguém fazer comentários sobre o Major Wanderby, creio que qualquer coisa que se fale ANONIMAMENTE sobre aquele oficial acaba perdendo a validade, haja visto que o mesmo assina absolutamente tudo que escreve e declara. O Major Wanderby é pessoa de crenças e opiniões firmes, e de grande caráter e honradez.

À sociedade em geral interessa o tráfico de drogas. A polícia reprime o tráfico de drogas para expiar as culpas do restante da sociedade civil.

Achei que o Capitão foi um tanto implacável com a minha categoria profissional ao incluí-la, sem um viés que justifique, entre os "consumidores de drogas". Somos tanto quanto são consumidores de drogas os motoristas de ônibus, os contadores, os policiais, os médicos, etc. Sem generalizar, toda profissão tem exemplo de gente que usa drogas.

De resto, absolutamente fantástico o texto. Para o cidadão comum, é tranqüilizador saber que a Auditoria da Justiça Militar tem pessoas de alto poder de análise entre seus quadros. Faço votos de que o senhor continue por lá, fazendo um bom trabalho.

Cordialmente,
Gustavo de Almeida

Alexandre de Sousa | 22 de Fevereiro de 2007 20:26

Ferreira, Caveirão já deu? Está longe de acabar. Vc vai ver quando começarem a rodar os novos blindados. Isso ainda vai me dar muitos posts.

Anônimo | 22 de Fevereiro de 2007 21:27

Realmente relevante o texto,nos mostra a visão de quem está de "dentro "da corporação.Como leigos,acabamos por ter uma visão deturpada do trabalho da polícia,achando muitas vezes que estamos mais seguros,optando pela segurança fornecida pelos bandidos ou pela omissão.Mas o fato é que a Polícia Militar trabalha de acordo com o que lhe é permitido,sendo muitas vezes até interessante para a população,que a polícia seja inoperante.Enquanto não se desfizer o ciclo vicioso de impunidade e falta de respeito,não teremos uma polícia mais digna e uma população mais consciente do seu trabalho,feito por homens que também são pais,filhos,chefes de família,com os deveres de zelar pela população,mas sem direito á sua própria segurança.

Anônimo | 22 de Fevereiro de 2007 21:33

Texto muito relevante,nos mostrando a opinião de quem está "dentro" do problema,do outro lado da situação.
Muitas vezes,a falta de informação faz com que a população acabe achando melhor contar com a pseuda proteção dos bandidos,omitindo-se ou abstendo-se de qualquer revolta,apenas se contentando em viver sob constante guerra civil.
Nos esquecemos que ,de fato,são também pais de família,filhos,netos,que servem á população,com deveres de zelar pelo bem estar da mesma,mas sem direito de sua própria segurança ser de fato,assegurada.Mal remunerados,em constante perigo,esses servidores deveriam ser mais respeitados,já que na maioria das vezes,é com suas próprias vidas que pagam o alto preço de quererem servir á população.

Luiz Alexandre | 22 de Fevereiro de 2007 23:21

Agradeço a todos pelos comentários prestados.
É sempre muito importante ver que estão lendo nossas postagens e, mais ainda, que estão gerando opiniões e comentários.
Ao Sr. Gustavo de Almeida, um agradecimento especial pelo comparecimento, já que sei que como jornalista, ele necessita ter sua atenção voltada em várias direções e fico muito grato por seus olhos passarem por essa direção.
Concordo plenamente com o sr. sobre consumo de drogas por todas as classes profissionais e, mais ainda, quem sou eu para generalizar uma categoria, afinal, como dizem, os Policiais Militares são corruptos, desonestos e burros.. rs.. Existe categoria profissional com mais estereótipos que a minha?
Realmente tenho diversos amigos do meio artístico, alguns vindos do tempo de escola e, eles mesmos alegam, que especialmente lá a disseminação das drogas é muito grande. Além de alguns outros fatores que nos levam a acreditar nisso. Claro que nem todos os artistas são usuários, como tb, nem todos nós PM's somos burros, corruptos e etc.. rs
Obrigado a todos e espero a continuidade do comparecimento.
Luiz Alexandre

Gustavo de Almeida | 23 de Fevereiro de 2007 13:07

Concordo quanto às generalizações, Capitão. E não há instituição bicentenária mais vista com generalizações quanto a PMERJ. Praticamente todas erradas. Eu tenho dado a sorte de ter amigos dentro dessa corporação (e até alguns que não são amigos mas são conhecidos) que desfazem toda e qualquer generalização negativa!
Quanto ao Caveirão, publiquei alguns textos do tenente-coronel Mário Sérgio Duarte no JORNAL DO BRASIL no ano passado que valem a pena serem apreciados sempre. E eu mesmo escrevi alguns argumentos.
Que se fiscalize o uso de QUALQUER arma ou Equipamento de Proteção Individual. Eu posso cometer crimes vestido com um COLETE À PROVA DE BALAS, não posso? Mas a partir disso, quem iria proibir o colete?
Há assaltos e assassinatos todos os dias praticados em cima de motocicletas. Quando vamos começar a campanha para proibir as motocicletas?
Fico muito preocupado, muito mesmo, com as campanhas contra o Blindado da PMERJ. Até poderia endossar uma campanha "Pelo uso lícito e controlado do Blindado" ou coisa do gênero. Proibir é uma ofensa.
abraço

Ferreira | 23 de Fevereiro de 2007 15:52

Não capitão, o que eu quis dizer é que acho não haver mais o que argumentar sobre o caveirão, essa discussão já foi induzida até a afirmações bizarras do tipo: "menininha diz ter medo de bicho papão e caveirão"...

Mas tenho convicção que muitos ainda irão colocar este assunto em pauta, mas pra mim... já deu!

Luiz Alexandre | 23 de Fevereiro de 2007 21:30

Ei Ferreira.. Não fui eu quem comentou o q vc disse, não.. rs..
Foi seu colega de turma, cara. O Alexandre tb, mas DE SOUSA... rs.
Abraços para vc.

Luiz Alexandre | 23 de Fevereiro de 2007 21:37

Caro Sr. Gustavo de Almeida,
É por isso que sou totalmente a favor de câmeras de vídeo instaladas nas vtr's, pois seria um grande controle, além do mais óbvio, que seria o uso maciço do GPS.
Já que o Senhor tocou nesse assunto, até me deu uma nova idéia para um dos próximos posts. Equipamentos e controle da polícia.
Obrigado pela inspiração.. rs.. Assim vai ser fácil continuar postando, com tantos amigos dando idéias.
Abraços e obrigado. Conto com sua presença sempre.
Luiz Alexandre

Anônimo | 24 de Fevereiro de 2007 00:55

Caro Ferreira,
embora eu também quisesse parar de falar dos blindados da PMERJ, o assunto ainda não foi superado.
Muito pelo contrário, neste Carnaval, uma determinada Escola de Samba realizou, na letra de seu samba, um ataque direto ao "Caveirão da injustiça".
Ora, não sejamos ingênuos a ponto de pensar que é só uma "musiquinha", afinal, quantas vezes aquilo foi repetido antes, durante e depois do Carnaval? Há que se ter em mente, também, que a transmissão do desfile - e, consequentemente, das críticas aos blindados - seguiu, via satélite, para mais de 200 países!!!
Um grande abraço a todos que coadunam com a necessidade de melhorarmos a nossa profissão e o serviço que prestamos à sociedade.
Capitão Queiroz (ainda com orgulho de pertencer à PMERJ).

Monica Barros | 15 de Outubro de 2007 22:47

Seguindo sua recomendação estou lendo os posts antigos também. Este em particular é sensacional. Idéias muito claras e absolutamente realistas, parabéns pelo texto. Se pudéssemos ver textos assim nos veículos de comunicação... mas é difícil né, já que o que anda pautando o nosso país hoje em dia é a hipocrisia. Concordo com absolutamente tudo escrito, não suporto ver, entre outras tantas coisas erradas no Brasil, tanta hipocrisia, pois é ela quem está sendo cúmplice de todos os males de nosso país. Mas quando a gente se depara com essa verdade absoluta, aí mesmo é que fica pensando, qual a solução?

E sobre generalizar os estereótipos de cada profissão, sim, é claro que não se pode generalizar. Mas é claro tb que quando falamos de algo assim é porque, na maioria das vezes, testemunhamos e sabemos como as coisas funcionam "nas internas"
Eu não vou generalizar e dizer que existem mais usuários de drogas entre os jornalistas do que em outra profissão (mas acho que um motorista de ônibus não deve ter dinheiro pra comprar droga. Ou tem e eu é que tô por fora?). Vou apenas comentar que ter testemunhado o uso frequente em pleno expediente de uma redação de jornal e todas as histórias que ouvi lá a esse respeito, foi um dos motivos que me fez ver que eu, ainda uma estagiária de jornalismo naquela ocasião, não iria me adaptar muito àquela situação de meus colegas de trabalho. Acabei não seguindo a profissão, a qual admiro muitíssmo. Moral da história (do comentário!): yo no creo en las brujas, pero que las hay las hay!

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